segunda-feira, 16 de maio de 2011

ALRAA - O sentido crítico da oposição


Foi publicado no passado dia 11 no site da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores que a própria no ano de 2010 custou 12.3 ME ao erário público, onde 463 mil euros em despesas de representação dos Deputados, 502 mil euros foram em deslocações e estadias, 176 mil euros em comunicações, 125 mil em equipamento de escritório, e ainda 852 mil euros para a rubrica de "apoio à actividade parlamentar".
Esmiuçando os números, ignorando os salários que usufruem, e utilizando a calculadora, que de científica nada tem,  para efectuar umas contas ditas de "merceeiro" verifico que:
Por cada Deputado, a Assembleia:
- Gastou 680 € por mês em despesas de representação
- Gastou 734 € por mês em deslocações e estadias
- Gastou 257 € por mês em comunicações
- Gastou 183 € por mês em material de escritório
 - Gastou 1246 € por mês em "apoio à actividade parlamentar"
Tendo em conta que:
- A ALRAA reúne-se em plenário uma vez por mês;
- Sempre que o faz, faz por 3 dias. Extraordinariamente pode ir a 4 dias consecutivos;
- Vamos supor que todos, TODOS os Deputados se deslocam de avião e que cada passagem custa (exageradamente e longe de realidade) 200€;
- Que o quarto utilizado é mais caro da ilha, sempre cobrado em época alta, sem qualquer tipo de promoção custa para 4 noites 440€ (Tarifa de acordo com o site do Hotel)
A soma dá 640€. Apesar de concordar que os Srs. Deputados têm que estar num bom Hotel, e deslocarem-se de forma rápida e segura, e ter as despesas inerentes à sua função pagas, assim como qualquer outro trabalhador no país, há que ser coerente principalmente em dias como os de hoje.
680€ por mês para cada um em despesas de representação adicionadas a 1246€ para cada Deputado para apoio à actividade parlamentar? Mas afinal o que são todas as outras despesas que não apoio à actividade parlamentar?!
257€ em comunicações??!?? Nem que não dormissem e estivesses 24h/dia a TRABALHAR ao telemóvel…
180€ em papel, lápis e canetas por cada Deputado?
Para além do absurdo destes valores, mesmo que já sejam o resultado de uma redução de 200mil€, insignificante, a primeira questão que me assombra é o porquê do silêncio associado a esta situação.
Se a oposição só sabe criticar toda e qualquer medida do Governo, porque razão não se manifesta contra esta luxúria?? No meu entender, esta atitude demonstra bem a qualidade da oposição que temos, e esta apreciação é transversal desde o PPM até ao CDS, desde que nos dêem de comer também estamos calados. Onde estão os ideais que tanto apregoam em defesa dos Açores e dos Açorianos? Infelizmente, todos só se preocupam com o seu umbigo… até aqueles os comunas do PCP!!
Na verdade a oposição só esta a dar razão a César, que mais uma vez com a sua astúcia e perspicácia conseguiu aumentar significativamente a representatividade dos Açorianos na Assembleia, com a ultima revisão ao Estatuto Político-Administrativo dos Açores, que mais não é do que “dividir para reinar”! César ficou bem visto aos olhos dos Açorianos, porque em teoria reforçou a democracia parlamentar regional, mas por outro conseguiu calar os partidos que não tinham deputados e que só criticavam o fausto em que vivem.
Para que serve uma oposição liderada por Berta Cabral que concentra toda a sua política no aspecto crítico, mas nunca construtivo ao Governo Regional, e nem sequer toma uma atitude política "fácil" como de um pedido de esclarecimentos sobre estas contas, e medidas a tomar para redução das mesmas? Chama-se a política do mal dizer, quando na verdade, toda a oposição apenas mostra as nossas escolhas perante as eleições a nível nacional 5 Junho e em 2012 a nível regional, ou seja, entre o mesmo, e mais do mesmo, que venha alguém com coragem e carácter político para enfrentar e liderar os desafios do futuro.
A culpa não é individual dos Deputados nem dos partidos, porque todos fazem o mesmo, mas são estas situações que promovem um estado social desequilibrado, onde os líderes deveriam liderar por sentido de estado em vez da preocupação de benefício político próprio, onde a responsabilização e a credibilidade não é valorizada, mas sim a política da crítica e do insulto. A culpa é de todos nós que o permitimos, e somos nós que temos que exigir a alteração dos valores que nos regem, passando por todos os partidos com assento parlamentar a nível nacional e regional.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Sustentabilidade Energética e Não Só

Ao abrir o Açoriano Oriental do dia 10 deparo-me com uma notícia francamente positiva, durante o mês de Abril mais de 50% da energia produzida em São Miguel foi de origem renovável. Em primeiro lugar tenho de dar os parabéns à EDA, na pessoa do seu Presidente, o Dr. Roberto Amaral. Do alto dos seus 70 anos, leva a EDA a atingir um marco histórico e com a sua determinação, certamente, conseguirá alcançar a meta estipulada pela tutela de 50% de energias renováveis para todo o Arquipélago já em 2014, crescendo para 85% em 2018.
Seria muito injusto da minha parte não deixar uma palavra de congratulação aos Ex-Presidentes da EDA e a todos os funcionários que directa ou indirectamente têm contribuído para estes resultados. Aos Ex-Presidentes estas palavras têm especial sabor, sobretudo aqueles que acreditaram desde o primeiro momento que a geotermia seria a porta para a independência enérgica dos Açores. Tempos difíceis passaram, sobretudo no fim da década de 80, quando os investimentos entretanto realizados nos furos não davam frutos, apenas aumentavam o enorme buraco, mas mesmo assim não desistiram e hoje todos nós podemos gozar dessa persistência e perseverança.
No meu entender, a EDA deve ser vista como um exemplo a seguir em todas as áreas da economia, o que nós produzirmos por nós mesmo não precisa vir de fora e o dinheiro fica cá. O equilíbrio da balança comercial é algo fundamental em qualquer economia, sobretudo em economias de escala reduzida como a nossa.
A verdade é que nada substitui a experiencia da vida, e a EDA é um exemplo bem claro, que a conjugação do saber académico com a sabedoria é uma ferramenta muito preciosa na gestão de empresas, como a EDA, SATA ou RTP,  que assumem especial importância para a população em geral e para a nossa Região em particular.
Espero que o nosso bom amigo César, a que também há que louvar pelo sucesso da EDA, pela introdução dos privados no sector energético a nível Regional e pela responsabilidade associada aos 50,1% que o Governo ainda possui da empresa, se aperceba que Antoniozinhos e Bicudos nascem como prematuros, num sector que embora público é cada vez mais exigente. Até defendo que a nova geração  tem de assumir posições de destaque nas organizações, mas é fundamental salvaguardar que no próximo “jogo das cadeiras” e para o caso de algum deles saltar para a EDA (o que poderá acontecer muito em breve) não tragam o excesso de juventude e ingenuidade profissional associada, de modo a deitar a perder o brilhante trabalho até agora desenvolvido.
Mas o problema da SATA agora não vem ao caso, já que se deve por um lado à falta de envergadura e amadurecimento profissional do Antoninho, justamente aquilo que o Cansado teve a mais, e por outro à falta de distância da tutela, algo que a EDA conseguiu ultrapassar com distinção, talvez com a ajuda do Grupo Bensaude, e cujos resultados todos nós vemos, tudo isto sem nunca perder a protecção Governamental Regional indispensável.
Neste contexto de dependência externa, penso que o Governo Regional deveria tomar mais medidas para proteger a nossa economia, ao mesmo tempo que reforçaria a nossa capacidade exportadora. Se Portugal produz apenas 40% de toda a carne de vaca que consome, se produz apenas 50% da fruta e legumes que consome, porque razão os Açores não aproveitam essa margem? Sabiam que 100% do açúcar produzido em Portugal Continental é de origem da Cana do Açúcar e a matéria-prima vem importada de Moçambique, Brasil e mais não sei onde. Porque não aproveitar a oportunidade para o Açores brilharem?  Porque não cria associações de agricultores e lavradores, protegidas pelo Governo Regional, que nos dê a dimensão e a importância necessárias para ganhar visibilidade no Continente? A subsídio dependência em que caímos esta a tornar-nos cada vez mais fracos e preguiçosos...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Os gravadores ficam perto de Pina Manique...

 Efectivamente há que reconhecer a César, inteligência e perspicácia! Uma vez que não é fácil “eliminar” Ricardo Rodrigues, não sei bem porquê (ou melhor imagino que seja por algum lobby directamente relacionado com a Garagem da Lagoa, mas isso não interessa para o caso) o melhor é tê-lo satisfeitinho com um lugar ao Sol na Capital, cozinhado por um tacho político, mas com a vantagem de estar longe do mediatismo Regional. No meu entender, não interessa mesmo nada a César que o larápio seja associado à sua imagem. Assim, com as viagens entre Pina Manique e a Vila do amigo Cordeirinho, ele passa à margem da maioria dos Açorianos que não podem ver aquela manchinha branca à frente… “Passa lá pra fora!”
 O dito larápio, não se contenta com os 5000€ de deputado (mais os eventuais adornos), pois o que gosta mesmo é de roubar gravadores. Ficam bem na estante da Canada dos Prestes, junto a outros recuerdos da amiga Débora Raposo, do inocente João Paz do Jornal dos Açores, do amigalhaço Emanuel de Sousa, etc. etc. etc..
 Esta dos gravadores é muito boa, tão boa que até não parece ser verdade. Muito menos vindo, de alguém que goza de imunidade parlamentar para defender os interesses dos Portugueses, os interesses da democracia e, no fim de contas, atenta à liberdade de expressão e faz censura pelas próprias mãos. Que pérola!
 Na verdade só tenho pena que isto se tenha passado em Portugal, onde tudo ficará igual: o pobre jornalista da Sábado, mais dia menos dia, vai perder o emprego, o processo criminal é arquivado e o gatuno é promovido a Presidente de qualquer coisa. Com jeito ainda chega a provedor da Casa Pia ou a Ministro da Justiça...
Brevemente falarei dos amigalhaço desde grande politico Vilafranquense!