Foi publicado no passado dia 11 no site da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores que a própria no ano de 2010 custou 12.3 ME ao erário público, onde 463 mil euros em despesas de representação dos Deputados, 502 mil euros foram em deslocações e estadias, 176 mil euros em comunicações, 125 mil em equipamento de escritório, e ainda 852 mil euros para a rubrica de "apoio à actividade parlamentar".
Esmiuçando os números, ignorando os salários que usufruem, e utilizando a calculadora, que de científica nada tem, para efectuar umas contas ditas de "merceeiro" verifico que:
Por cada Deputado, a Assembleia:
- Gastou 680 € por mês em despesas de representação
- Gastou 734 € por mês em deslocações e estadias
- Gastou 257 € por mês em comunicações
- Gastou 183 € por mês em material de escritório
- Gastou 1246 € por mês em "apoio à actividade parlamentar"
Tendo em conta que:
- A ALRAA reúne-se em plenário uma vez por mês;
- Sempre que o faz, faz por 3 dias. Extraordinariamente pode ir a 4 dias consecutivos;
- Vamos supor que todos, TODOS os Deputados se deslocam de avião e que cada passagem custa (exageradamente e longe de realidade) 200€;
- Que o quarto utilizado é mais caro da ilha, sempre cobrado em época alta, sem qualquer tipo de promoção custa para 4 noites 440€ (Tarifa de acordo com o site do Hotel)
A soma dá 640€. Apesar de concordar que os Srs. Deputados têm que estar num bom Hotel, e deslocarem-se de forma rápida e segura, e ter as despesas inerentes à sua função pagas, assim como qualquer outro trabalhador no país, há que ser coerente principalmente em dias como os de hoje.
680€ por mês para cada um em despesas de representação adicionadas a 1246€ para cada Deputado para apoio à actividade parlamentar? Mas afinal o que são todas as outras despesas que não apoio à actividade parlamentar?!
257€ em comunicações??!?? Nem que não dormissem e estivesses 24h/dia a TRABALHAR ao telemóvel…
180€ em papel, lápis e canetas por cada Deputado?
Para além do absurdo destes valores, mesmo que já sejam o resultado de uma redução de 200mil€, insignificante, a primeira questão que me assombra é o porquê do silêncio associado a esta situação.
Se a oposição só sabe criticar toda e qualquer medida do Governo, porque razão não se manifesta contra esta luxúria?? No meu entender, esta atitude demonstra bem a qualidade da oposição que temos, e esta apreciação é transversal desde o PPM até ao CDS, desde que nos dêem de comer também estamos calados. Onde estão os ideais que tanto apregoam em defesa dos Açores e dos Açorianos? Infelizmente, todos só se preocupam com o seu umbigo… até aqueles os comunas do PCP!!
Na verdade a oposição só esta a dar razão a César, que mais uma vez com a sua astúcia e perspicácia conseguiu aumentar significativamente a representatividade dos Açorianos na Assembleia, com a ultima revisão ao Estatuto Político-Administrativo dos Açores, que mais não é do que “dividir para reinar”! César ficou bem visto aos olhos dos Açorianos, porque em teoria reforçou a democracia parlamentar regional, mas por outro conseguiu calar os partidos que não tinham deputados e que só criticavam o fausto em que vivem.
Para que serve uma oposição liderada por Berta Cabral que concentra toda a sua política no aspecto crítico, mas nunca construtivo ao Governo Regional, e nem sequer toma uma atitude política "fácil" como de um pedido de esclarecimentos sobre estas contas, e medidas a tomar para redução das mesmas? Chama-se a política do mal dizer, quando na verdade, toda a oposição apenas mostra as nossas escolhas perante as eleições a nível nacional 5 Junho e em 2012 a nível regional, ou seja, entre o mesmo, e mais do mesmo, que venha alguém com coragem e carácter político para enfrentar e liderar os desafios do futuro.
A culpa não é individual dos Deputados nem dos partidos, porque todos fazem o mesmo, mas são estas situações que promovem um estado social desequilibrado, onde os líderes deveriam liderar por sentido de estado em vez da preocupação de benefício político próprio, onde a responsabilização e a credibilidade não é valorizada, mas sim a política da crítica e do insulto. A culpa é de todos nós que o permitimos, e somos nós que temos que exigir a alteração dos valores que nos regem, passando por todos os partidos com assento parlamentar a nível nacional e regional.
Sem comentários:
Enviar um comentário