Ao abrir o Açoriano Oriental do dia 10 deparo-me com uma notícia francamente positiva, durante o mês de Abril mais de 50% da energia produzida em São Miguel foi de origem renovável. Em primeiro lugar tenho de dar os parabéns à EDA, na pessoa do seu Presidente, o Dr. Roberto Amaral. Do alto dos seus 70 anos, leva a EDA a atingir um marco histórico e com a sua determinação, certamente, conseguirá alcançar a meta estipulada pela tutela de 50% de energias renováveis para todo o Arquipélago já em 2014, crescendo para 85% em 2018.
Seria muito injusto da minha parte não deixar uma palavra de congratulação aos Ex-Presidentes da EDA e a todos os funcionários que directa ou indirectamente têm contribuído para estes resultados. Aos Ex-Presidentes estas palavras têm especial sabor, sobretudo aqueles que acreditaram desde o primeiro momento que a geotermia seria a porta para a independência enérgica dos Açores. Tempos difíceis passaram, sobretudo no fim da década de 80, quando os investimentos entretanto realizados nos furos não davam frutos, apenas aumentavam o enorme buraco, mas mesmo assim não desistiram e hoje todos nós podemos gozar dessa persistência e perseverança.
No meu entender, a EDA deve ser vista como um exemplo a seguir em todas as áreas da economia, o que nós produzirmos por nós mesmo não precisa vir de fora e o dinheiro fica cá. O equilíbrio da balança comercial é algo fundamental em qualquer economia, sobretudo em economias de escala reduzida como a nossa.
A verdade é que nada substitui a experiencia da vida, e a EDA é um exemplo bem claro, que a conjugação do saber académico com a sabedoria é uma ferramenta muito preciosa na gestão de empresas, como a EDA, SATA ou RTP, que assumem especial importância para a população em geral e para a nossa Região em particular.
Espero que o nosso bom amigo César, a que também há que louvar pelo sucesso da EDA, pela introdução dos privados no sector energético a nível Regional e pela responsabilidade associada aos 50,1% que o Governo ainda possui da empresa, se aperceba que Antoniozinhos e Bicudos nascem como prematuros, num sector que embora público é cada vez mais exigente. Até defendo que a nova geração tem de assumir posições de destaque nas organizações, mas é fundamental salvaguardar que no próximo “jogo das cadeiras” e para o caso de algum deles saltar para a EDA (o que poderá acontecer muito em breve) não tragam o excesso de juventude e ingenuidade profissional associada, de modo a deitar a perder o brilhante trabalho até agora desenvolvido.
Mas o problema da SATA agora não vem ao caso, já que se deve por um lado à falta de envergadura e amadurecimento profissional do Antoninho, justamente aquilo que o Cansado teve a mais, e por outro à falta de distância da tutela, algo que a EDA conseguiu ultrapassar com distinção, talvez com a ajuda do Grupo Bensaude, e cujos resultados todos nós vemos, tudo isto sem nunca perder a protecção Governamental Regional indispensável.
Neste contexto de dependência externa, penso que o Governo Regional deveria tomar mais medidas para proteger a nossa economia, ao mesmo tempo que reforçaria a nossa capacidade exportadora. Se Portugal produz apenas 40% de toda a carne de vaca que consome, se produz apenas 50% da fruta e legumes que consome, porque razão os Açores não aproveitam essa margem? Sabiam que 100% do açúcar produzido em Portugal Continental é de origem da Cana do Açúcar e a matéria-prima vem importada de Moçambique, Brasil e mais não sei onde. Porque não aproveitar a oportunidade para o Açores brilharem? Porque não cria associações de agricultores e lavradores, protegidas pelo Governo Regional, que nos dê a dimensão e a importância necessárias para ganhar visibilidade no Continente? A subsídio dependência em que caímos esta a tornar-nos cada vez mais fracos e preguiçosos...
Sem comentários:
Enviar um comentário